
Adulteração no setor alimentício
Livro mostra como azeite e outros alimentos são falsificados
Domênico Ribatti, um italiano que fez fama nos anos
80 como um dos maiores comerciantes de azeite de oliva em seu país, foi
condenado à prisão, em 1993, acusado de fraude. Ele recebia toneladas de
óleo de avelã da Turquia, de navio, e vendia como azeite extravirgem na
Itália.
Quem conta a história é o norte-americano Tom
Mueller, que acaba de lançar "Extra Virginity", livro no qual desdobra
sua investigação sobre a adulteração de azeite.
Especializado no óleo, o chef André Castro, do
D`Olivino, está de acordo com a tese do autor, de que não há oliveiras
suficientes para atender a demanda pelo azeite de oliva, e que isso
ativa a falsificação do produto.
"Alguns até apresentam traços do óleo extraído do caroço da azeitona", diz.
Para Ingrid Schmidt-Hebel, coordenadora do curso de
tecnologia em gastronomia do Senac, as adulterações no setor tendem a se
intensificar. "As fraudes estão se sofisticando. Dificilmente o
consumidor tem condições de identificá-las."
E a solução? "É preciso ter leis para a fabricação de alimentos e, na outra ponta, uma fiscalização rigorosa."
A mozarela de búfala, queijo fresco feito com 100% de
leite de búfala, também sofre adulteração. "A fraude vem da demanda
crescente. Os produtores compram leite bovino [mais barato e abundante],
fabricam o queijo e vendem por preços inferiores", diz Pietro
Baruselli, professor de veterinária da USP e membro da Associação
Brasileira de Criadores de Búfalos.
Para não cair em armadilhas, busque um queijo branco e
brilhante –a adição de leite bovino dá coloração amarelada, muitas
vezes camuflada com branqueadores.
Sua massa deve ter aroma de leite fresco, sabor suave
e levemente adocicado. Na textura, procure consistência macia, mas
firme, para que não despedace –quando levam porcentagem de leite bovino,
costumam esfarelar.
Nem os vinhos escapam. Há alguns anos foi descoberta
uma rede internacional que falsificava vinhos italianos. Policiais
apreenderam um grande lote de vinho de mesa italiano que seria vendido
como Barolo, Brunello di Montalcino e Chianti.
Os vinhos de € 2 eram comprados engarrafados, mas sem
rótulo, e levados para a Alemanha, onde recebiam etiquetas falsas. Lá,
eram vendidos por € 100.
Em "Historie de la Qualité Alimentaire" (sem tradução
no Brasil), Alessandro Stanziani se concentra nas fraudes de vinho,
carne, leite e manteiga. Para ele, os consumidores devem ser informados
para que tenham liberdade de escolher um produto.
"A responsabilidade do Estado é assegurar que a informação do fabricante ou do produtor está correta."
Fonte: Folha de S. Paulo – 29/02/2012
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