Falta higiene a verduras pré-lavadas vendidas em São Paulo
Teste feito por associação de defesa do consumidor achou bolores e pulgões
CLÁUDIA COLLUCCI
Presença de micróbios pode indicar tempo ou temperatura incorretos para o armazenamento em alguns casos
DE SÃO PAULO
Falta higiene às verduras e vegetais prontos para consumo (cortados e
higienizados) vendidos nos supermercados de São Paulo, indica análise da
Proteste (associação de defesa do consumidor).
Foram testadas dez amostras de hortaliças (cinco de alface americana,
três de cenoura ralada e duas de salada mista contendo cenoura e
beterraba raladas), recolhidas em sete supermercados.
Entre os achados, há bolores, leveduras e coliformes totais (que podem
ser indicadores de contaminação), além de pulgões, que podem facilitar a
entrada de bactérias ou fungos nos vegetais.
Em todas as amostras, havia mesófilos (indicam uma temperatura
inadequada de armazenamento) e psicrotróficos (longo período de
armazenamento do vegetal antes do processamento).
A boa notícia é que não foram encontrados coliformes fecais (indicadores
da presença da bactéria Escherichia coli) e nem Salmonella sp, bactéria
que pode causar diarreias, vômitos, dores abdominais, cefaleia e
prostração.
"Não há patógenos [que causam doenças], mas essas verduras contêm
contaminação elevada para um produto vendido como higienizado e pronto
para consumo", afirma a nutricionista Manuela Dias, que coordenou as
análises da Proteste.
Além disso, eles chegam a custar três vezes mais o valor da verdura
vendida sem higienização. "Nossa dica é: comprem produtos in natura e
façam a higiene em casa."
Não há uma regra da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) sobre a quantidade máxima dos organismos achados no teste.
A Proteste defende, porém, que a Anvisa revise essas regras e inclua
novos indicadores de qualidade, higiene e segurança, como fazem países
europeus. Isso incluiria a contagem de bolores, leveduras e coliformes
totais.
Por aqui também não há uma regra sobre qual fertilizante pode ser usado em plantações de folhas para saladas pré-lavadas.
Há dois anos, a OMS (Organização Mundial da Saúde) fez um alerta vetando
o uso do esterco animal em vegetais vendidos pré-lavados.
Segundo o diretor de segurança alimentar da entidade, Jorgen Schlundt,
usar esterco faz sentido em outras lavouras. "Mas, quando você está
produzindo saladas frescas, isso é um problema."
Fonte: www1.folha.uol.com.br

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